Passados quase sessenta anos eu me recordo ainda do dia em que tive a primeira aula de Karatê com o Sensei Tanaka. Foi em dezembro de 1963 em uma pequena academia localizada em uma casa de vila na praia de Botafogo: Kobukan. Para ser sincero eu nem me lembro de como tomei conhecimento da existência do Karatê como Arte Marcial. Também já esqueci como soube da existência da referida academia do mestre Yasutaka Tanaka e de seus companheiros, Sadamu Uriu e Lirton Monassa. A academia começara a funcionar há bem pouco tempo, em 1962, com o auxílio de um professor de Judô: Almerindio Brandão Filho, o “Marujo”. Mas voltemos à referida primeira aula: Tanaka me levou para um quarto no segundo andar da casa e, pacientemente, me deu instrução sobre as defesas básicas do Karatê. Em seguida ensinou-me os principais socos e pontapés. A partir de então passei a assistir as aulas treinando com os demais alunos. Passei todo meu período de férias treinando diariamente. Na época eu tinha passado para o segundo ano do Colégio Naval. Com o reinício das aulas eu passei a ir treinar apenas nos licenciamentos. Quando voltava para casa, a primeira coisa que fazia era ir para a academia mas, felizmente, o Karatê tem uma vantagem sobre as outras artes marciais: é perfeitamente possível treinar sozinho e eu o fazia todos os dias no colégio que, obviamente, era interno e nós só “íamos para a terra” nos licenciamentos. Eu tinha bastante talento para o Karatê.
Aprendi rapidamente, principalmente todos os pontapés e, com cerca de seis meses de treino, o Mestre Tanaka me promoveu diretamente de faixa-branca para faixa-verde. Um ano depois eu entrei para a Escola Naval situada na Ilha de Villegagnon. Lá eu pedi ao Tanaka que fizesse uma demonstração de karatê para os aspirantes e foi um sucesso. Vários colegas quiseram também começar a treinar e convidei-o para dar aulas na EN mas ele resolveu designar um dos seus alunos para nos ensinar: Hiroyasu Inoki e assim foi feito. Eu treinava com o Inoki na Escola e, nos licenciamentos, na Kobukan, com o Tanaka. Tempos depois, novamente pedi ao Tanaka para fazer outra demonstração, dessa vez no Clube Naval “Piraque” e novamente foi um sucesso. Mais uma vez o Tanaka designou o Inoki para dar aulas lá de onde, mais que da Escola Naval, o Karatê foi se espalhando pela Marinha. Alguns personagens importantes lá tiveram seu primeiro contato com o Karatê como Toscano e Demétrio Bastos. Alguns outros mestres ajudaram o Inoki no Piraque como Paulo Pinto e Marcos Landeira.
O início dos anos 70 marcou o princípio da época áurea do Karatê no Rio. Infelizmente eu pouco participei desses tempos felizes por razões de embarque. Não que eu me arrependa: eu gostava muito de embarcar e era o cara da minha turma com mais dias de mar. Eventualmente, em 1975, minha carreira teve uma enorme modificação: eu fiz o curso de Mergulhador de Combate. Durante o curso, Toscano, que era o principal Instrutor e encarregado do curso, levava o professor Paulo Góes, vulgo Paulão, para dar aulas. Terminado o curso, fui designado encarregado da Divisão de Mergulhadores de Combate, só que essa divisão praticamente só existia no papel: não tinha nenhum equipamento! Durante os anos que passei lá eu consegui equipar totalmente a divisão e consegui também contratar - mais uma vez o Inoki - para dar aulas de karatê para os Mergulhadores de Combate. Assim, embora viajássemos muito, quando voltávamos tínhamos nossos treinos garantidos.
Depois que saí da Força de Submarinos, a qual os Mergulhadores de Combate estão subordinados, novamente embarquei. Primeiro como comandante do Grupo de Embarcações de Desembarque e depois como imediato do Navio Transporte de Tropas Soares Dutra. De lá fui comandar a Corveta Purus na Bahia. Voltei para o Rio para ser Chefe de Máquinas do porta-aviões Minas Gerais. Nesse navio eu dava aulas de Karatê para tripulação no hangar do navio. Fiquei nesse navio cerca de três anos e depois fui servir na Escola Naval. Lá encontrei antigos companheiros do Karatê: Ugo Arrigoni Neto e Victor Hugo Blanco Bittencourt, o “Vitinho”, mas quem estava dando aulas de karatê para os aspirantes era um rapaz novo, o Vinicio Antony. Gostei muito dele. Tinha ótima forma e um excelente pontapé. Após pouco mais de dois anos saí da EM e, logo depois, saí também da Marinha e trabalhei por dois anos em Santos até me tornar prático da Bacia Amazônica Oriental onde passei muito tempo sem ter tempo para treinar.
Quando a situação melhorou fui treinar com o mestre Eduardo Santos por indicação do Daigo Jordão (primeiro Campeão Brasileiro de Karatê Tradicional). No começo não gostei da situação que encontrei pois quase não havia alunos de faixas coloridas. Isso é decadência!! Começamos então um trabalho de longo prazo que inicialmente teve o apoio de grandes mestres: Tanaka e Watanabe principalmente. Surgiu então a ideia de criar um Instituto: Goshin-Do Kobukan, que assumiria o controle operacional dos eventos. O projeto deu muito certo e, atualmente, Yoshizo Machida, Paulo Uchoa, Marcus Vinícius, Marcos Landeira, Paulo Jordão “Badi”, Marcus Brito “Xuxu” e, como não poderia deixar de ser, Guaraci Ken Tanaka, filho do Mestre. O Instituto tem como propósito desenvolver o Karatê como um todo, tentar ajudar a todos, independente da organização à qual estejam filiados, assim como, a outros estilos diferentes do Shotokan. A ideia é abranger todo Brasil e já temos contatos firmes, por exemplo, no Amapá e no Paraná.
Paulo Bruno Lorena de Araujo
Capitão de Mar e Guerra (CMG)
reformado MEC 23
O Karatê surgiu a partir de uma sequência de acontecimentos que culminou, em 1609, numa guerra entre o Clã Shimazu da província de Satsuma ao sul do Japão e o reino de Ryukyu (atual Okinawa). Com a vitória de Shimazu sobre Ryukyu, os nobres e militares derrotados foram proibidos de possuir armas e de praticar artes de combate.
Não sabemos exatamente quando a prática secreta do que veio a se tornar o Karatê começou mas o reino de Ryukyu foi mantido com a ajuda da China, para quem pagavam uma larga soma anual em troca do reconhecimento de sua autonomia política e comercial.
A partir de 1683 temos os primeiros relatos escritos do Te e de praticantes notórios como “Tei” Junsoku que foi ministro da educação de Ryukyu e adotou o nome a pedido de seu mestre no leito de morte. Relatos históricos e anedóticos sugerem que, além de a visita de diplomatas e adidos militares chineses que praticavam artes de combate, os nobres de Ryukyu praticavam em segredo uma mistura de Artes Marciais que continham o Te (prática nativa de socos e chutes e outros golpes traumáticos), o Tegumi (uma espécie de Judô ou Luta-livre ainda praticada atualmente em Okinawa), o Torite (literalmente “torcer as mãos”, ou seja, técnicas de “kansetsu-waza” típicas de escolas de ujutsu) e os Kata (“formas” que eram trazidas da China pelos visitantes e por nobres de Ryukyu em viagem aquele país contendo, a princípio, técnicas de grappling e estratégias de combate em grupo). Essa mistura era conhecida como Ti G’wa e eventualmente foi chamada de Uchinadi (Okinawa-Te) e Karatê (To-te ou Tou-di 唐手).
Em 1868 os americanos depuseram o Shogun do Japão e reinstauraram o Imperador Meiji como governante que anexou o reino destituído de Ryukyu como a província japonesa de Okinawa.
O seu rei foi viver em Tóquio mas os jovens nobres continuaram aprendendo as técnicas do Karatê caso o reino fosse restabelecido algum dia mas isso não aconteceu. O rei faleceu na capital japonesa no ano de 1905 e a prática não precisava mais ser secreta, o que acarretou em uma carta do Mestre Itosu ao ministério japonês da educação explicando os benefícios físicos, morais e comportamentais da prática do Karatê desde a infância e, em resposta, a permissão de introduzir o ensino da arte nas escolas de Okinawa. O Mestre Funakoshi Gichin, aluno de Azato e também de Itosu, era professor de escolas primárias, onde ensinava os clássicos confucionistas, foi considerado a pessoa ideal para introduzir a prática entre os jovens e obteve grande sucesso adaptando as metodologias para o ensino de crianças.
Em 1921 o futuro Imperador, príncipe Hirohito, visitou Okinawa acompanhado do já lendário Mestre Jigoro Kano, fundador do Judo, e Funakoshi recebeu a incumbência de realizar uma demonstração do Karatê com os seus alunos mais diligentes e avançados. O príncipe e o próprio Mestre Kano ficaram positivamente impressionados e o Mestre Funakoshi recebeu o convite de ir ensinar Karatê aos alunos mais avançados do Mestre Kano em Kodokan, berço do Judo em Tokio.
No ano seguinte o Mestre Funakoshi chegou no Japão trazendo o Karatê para Kodokan já com a grafia do nome trocada para Karate-Do (空手道), foi apresentado pelo Mestre Kano aos mais proeminentes eruditos do Japão e, por isso, o Karatê começou a ser ensinado nas grandes universidades japonesas até se tornar um esporte após o falecimento de Funakoshi em 1957 e a realização do primeiro campeonato em 1960.
O Karatê do Mestre Hidetaka Nishiyama (1928-2008) é sinônimo de Karatê Tradicional, focado na máxima eficiência técnica e na preservação da arte marcial original, diferenciando-se do karatê esportivo focado apenas em pontuação. Aluno direto de Gichin Funakoshi e um dos fundadores da Japan Karate Association (JKA), Nishiyama dedicou sua vida a sistematizar o Shotokan através de conceitos biomecânicos rigorosos.
Fundamentação Científica (Biomecânica): Nishiyama integrou o estudo da cinesiologia e biomecânica à prática do karatê, focando na força de reação, movimentação do quadril, estabilidade no solo (trabalho de pés/Un-soku) e técnicas de respiração (Ibuki) para maximizar o impacto.
O Conceito de Todome (Um Golpe, Uma Vida): A filosofia central de Nishiyama é o todome - a ideia de que cada técnica deve ser treinada para ser capaz de finalizar um oponente com um único golpe, simulando o corte de uma espada samurai.
Força através da "Onda de Movimento": Nishiyama ensinava que a potência real não vem apenas da força muscular, mas de uma "onda de movimento" que começa nos pés, sobe pelo corpo e termina no punho, gerando vibração e impacto máximo.
Foco no Budo e Desenvolvimento Pessoal: Para Nishiyama, o objetivo final não é a vitória em uma competição, mas o aprimoramento do caráter através do treinamento físico e mental ilimitado (Budô).
Kihon, Kata e Kumite Tradicional: Seus métodos de treinamento enfatizam a repetição constante (Kihon) e a compreensão profunda das formas (Kata), com kumite (luta) baseado na autodefesa, não apenas regras de pontuação.
Diferenciação do Karatê Esportivo: Nishiyama fundou a ITKF (International Traditional Karatê Federation) para preservar o karatê como uma forma de autodefesa, argumentando que as regras esportivas olímpicas focadas apenas em toques rápidos diminuem a eficácia da técnica original.
Livro Clássico: Sua obra "Karatê: The Art of Empty-Hand Fighting" (1960), coescrita com Richard Brown, é considerada um dos livros técnicos mais influentes e precisos do Karatê Shotokan no mundo.
Em resumo, o Karatê de Nishiyama preza por uma base sólida, movimentos precisos e "pesados" (low stances), e um compromisso inabalável com a tradição técnica e a formação moral do praticante.
Os valores éticos e morais do Dojo-Kun na versão contemporânea de cinco lemas, advém de outros muito mais antigos que tratam
da formação do Homem e, em especial, dos que pertencem ao meio das Artes Marciais. Há uma acirramento na divulgação destes lemas, que pressupõe o auto aprimoramento por meio de valores como CARÁTER, RAZÃO, ESFORÇO, RESPEITO e CONTROLE. Tais conceitos exigem positividade, intuito e persistência para que o praticante os atinja e é muito necessário que a sociedade os venha discutir ciclicamente, evitando um regramento apenas por vantagens físicas e técnicas.
O GOSHIN-DO (caminho do auto aprimoramento, visando saúde e bem estar do indivíduo através da prática do Karatê-DO aplicado) capitaneado pelo Professor Tasuke Watanabe tinha como protagonistas cinco longevos, duradouros e renomados Professores japoneses de Karatê: Yasutaka Tanaka, Hiroyassu Inoki, Yoshizo Machida e Yasuyuki Sasaki.
Mestre Tanaka, junto ao Professor Sadamu Uriu, fundou a primeira Federação de Karatê e institucionalizou a Arte no Brasil. Além de possuir enorme carisma e conceitos de formação muitos rígidos, formou milhares de Karatecas e, no começo da década de 1970, formou uma lendária seleção nacional que trouxe para o Brasil o primeiro título individual de kumite (luta).
O GOSHIN-DO vem sendo administrado há mais de 20 anos pelo Karatê-DO Tradicional (CBKT e ITKF) mas, independente de movimentos federativos, trata do assunto supracitado com credenciais acadêmicas bastante significativas e conta com dirigentes, professores e colaboradores, com graduações pertinentes para o bom desenvolvimento de todo e qualquer praticante de Artes Marciais.
Antes de ser ensinado como uma defesa, essa técnica se apresentava mais como um ataque às articulações durante o soco ou tentativa de agarrar do oponente. Sua aplicação é eficaz tanto contra o cotovelo quanto como uma rotação de todo o braço que acarreta na torção dolorosa do ombro.
É um dos fundamentos mais comuns nos diferentes estilos de Karatê mas nunca visto em uma competição ou treino de luta por ser talvez o que mais foi modificado através dos anos e das muitas escolas que se criaram desde o começo do Karatê. Seu propósito inicial era defender durante a passada e usar a mão em espada para desequilibrar o agressor enquanto usamos a perna dianteira para derrubá-lo, seja em Kokutsu-dachi como fazemos hoje no Shotokan ou em Nekoashi-dachi como fazem escolas mais arcaicas.
Um fundamento muito útil e pouco utilizado que visa não o bloqueio mas o desvio de um ataque para que, com o ângulo alterado, fique fora do alcance e propicie o contragolpe. Outra forma de uso dessa técnica é tirar o braço a guarda do oponente para atacá-lo ou até deslocar a articulação do cotovelo do agressor para baixo a fim de causar um desequilíbrio momentâneo para o atingir com golpe ou com uma técnica de arremesso.
Agarrar o membro agressor com a mesma mão que defendemos é algo muito comum em todas as Artes de Combate. Quando associada a uma troca de base para a Kokutsu-dachi (recuando) ou Kiba-dachi para Zenkutsu-dachi (avançando), causa o desequilíbrio do oponente ou seu breve deslocamento, o que permite um contragolpe antes que o agressor possa retomar sua postura e voltar a nos atacar. Se utilizada no braço oposto ao nosSo ele permite dominar a postura do agressor enquanto nos posicionamos fora do alcance de seus golpes.
O Oi-zuki é o principal fundamento de sua categoria e, único nas Artes Marciais, epitomiza o próprio Karatê Shotokan que se fundamentou em utilizar a aceleração linear para gerar impacto por via da inércia. Isso permite que praticantes mais leves sejam capazes de incapacitar oponentes mais fortes e pesados. A busca desse princípio foi responsável por diferenciar o Shotokan dos outros estilos usando bases mais longas e técnicas mais lineares ao invés das circulares favorecidas anteriormente. Os demais socos fazem uso, em vez disso, da rotação de quadril e da pressão gerada por contração de músculos antagonistas ou opostos. Mesmo nesses golpes teoricamente parados, usa-se o foco linear para maximizar força e impacto e não é raro a aplicação dessas técnicas em deslocamento com sobrepassos e deslizamentos de pés que tendem a maximizar a força gerada.
O Kizami-zuki é um dos mais comuns golpes em todas as Artes Marciais devido a sua grande velocidade e alcance. N Karatê, é executado diferenemente do boxe e não usamos o deslocamento do ombro mas o giro do quadril e o apoio do calcanhar traseiro, o que lhe confere força e gera impacto com potencial de nocaute.
Esse é o fundamento mais comum e o responsável pela esmagadora maioria dos pontos em competições desportivas. O potencial incapacitante é enorme até em golpes no tronco e a velocidade de aplicação aliada ao deslocamento da base permite grande versatilidade na forma de usar.
Uraken e Tetsui são mais viáveis fora de contextos desportivos e pode ser aplicado de diversos ângulos (de frente, de lado, de cima para baixo, de baixo para cima, etc...) e até fazendo uso de giros completos de quadril (koshi-kaiten) que magnificam ainda mais o impacto e o poder incapacitador desses golpes.
Esse fundamento mudou e evoluiu com o passar das décadas e tem maneiras de execução muito diferentes para situações distintas.
Aqui apresentado apenas na variação Keage (com força de pêndulo) por ser a única presente nos katas, e por a sua variação Kekomi poder ser interpretada como um Fumi-waza, ou seja, um pisão lateral ao invés de um chute.
Originalmente, era um golpe contra articulações de joelho e quadril que evoluiu através dos estilos até a versão que praticamos hoje no Karatê Shotokan.
Uma técnica inexistente no Karatê até o início do século XX, não é encontrada nos katas de nenhuma escola e foi introduzida por Gigo Funakoshi, filho do Mestre. O uso do joelho alinhado com o pé numa trajetória de parábola (ascendente e descendente) com o giro final do quadril é primordial para que essa técnica gere o impacto que é o seu grande diferencial.
Aqui ilustrada apenas na sua versão frontal, única presente nos kata, essa técnica faz uso da elevação do joelho associada à penetração do quadril no momento do impacto para maximizar o potencial de incapacitar o oponente.
Mesmo em situaçõews onde o alvo é a cabeça do oponente, como utilizada em kata, é necessário o domínio do deslocamento frontal do quadril para que a eficácia seja completa e mesmo quando não for, permita um retorno à postura equilibrada.
Usada com a sola do pé contra a articulação do cotovelo do agressor, como apresentada nos kata, essa técnica pode ser aplicada contra outros alvos e com outras partes da perna, tais quais, koshi (treço anterior da sola), haisoku (peito do pé) ou sune (canela) e acaba se parecendo com um Mawashi-geri mas que não realiza a parábola completa e apresenta apenas o giro de quadril e a tragetória é ascendente.
Há várias formas de aplicar os Fumi-waza e exemplificamos apenas a versão de deslocamento lateral por ser a mais básica e a primeira a ser ensinada aos praticantes iniciantes, apesar de haver versões para a frente em diversos kataS usando a base Kiba-dachi e apenas uma em que o aplicamos frontalmente em Zenkutsu-dachi contra a articulação do joelho do agressor. Em formas arcaicas, há até aplicação desse golpe do chão contra um agressor em pé.
O silabário completo de técnicas é significativamente maior do que os apresentados acima mas, para que o praticante domine os katas básicos necessários na primeira fase de seu aprendizado, é imprescindível que os fundamentos aqui exemplificados sejam internalizados.
A construção de uma base sólida é a ferramenta principal para o desenvolvimento futuro de um Karatê completo e, ainda mais importante, longevo, saudável e isento de lesões oriundas da repetição de técnicas mal fundamentadas.
Para os primeiros anos e graduações, o domínio do kata respectivo de cada faixa é pré-requisito para a próxima graduação e, ao atingir a faixa-roxa é desejável que o aluno consiga executar os kata das séries Heian (de 1 a 5), Tekki (de 1 a 3) e o Bassai-Dai. A partir daí e até a faixa-preta (1º Dan) o aluno precisa dominar também Hangetsu, Enpi, Jion, Jitte, Gankaku e Kanku-Dai.
Para tanto, as técnicas ilustradas aqui são obrigatórias. OSS!